Pré-candidatos à Presidência disputam eleitores de Joaquim Barbosa

O anúncio do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa de que havia desistido de disputar a Presidência na eleição de outubro, divulgado na manhã desta terça-feira (8), repercutiu entre os pré-candidatos à Presidência que participam de um encontro com prefeitos em Niterói (RJ). Todos disseram lamentar, mas sem descartar aliança com o PSB. 

“Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal”, escreveu Barbosa em sua conta no Twitter.

O líder do PSB na Câmara, deputado Júlio Delgado, era um dos mais entusiasmados defensores da candidatura do ex-ministro do Supremo. Depois do anúncio da desistência, o parlamentar declarou a Tereza Cruvinel, colunista do JORNAL DO BRASIL, que o PSB não tem mágoas de Barbosa. Delgado garantiu que Barbosa foi “corretíssimo” em todos os momentos, pois nunca firmou o compromisso de ser candidato.

“A única coisa que lamento é que agora vamos ter uma eleição com mais do mesmo. Com candidatos da velha política, num quadro em que só ele era o novo”, disse Delgado.

Ele acha que valeu a pena a filiação de Barbosa, pois ela reposicionou o PSB no quadro nacional, deu grande visibilidade à sigla, fortalecendo-a para fazer agora seu novo caminho. Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 15 de abril, Barbosa oscilava entre 9% e 10% das intenções de voto nos cenários em que era citado, variando entre a terceira e a quarta posição.

“Vamos decidir com mais tempo e mais calma. As especulações que estão por aí são prematuras”, disse Delgado.

Na parte da manhã, participaram do evento em Niterói os pré-candidatos Rodrigo Maia (DEM), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Afif Domingos (PSD), Manuela D’Ávila (PCdoB), Marina Silva (Rede) e Alvaro Dias (Podemos). No período da tarde, falaram Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL), Aldo Rebelo (SD), Paulo Rabello de Castro (PSC) e Henrique Meirelles (MDB). 

O pré-candidato à Presidência do PSDB, Geraldo Alckmin, classificou a decisão de Barbosa como “uma perda”. O ex-governador, que é aliado do PSB em São Paulo, sinalizou para a possibilidade de que o ex-ministro possa colaborar em seu governo, citando especificamente projetos ligados a área de gestão pública. 

“Nós precisamos de novas lideranças, de maior participação. Eu gosto do Joaquim [Barbosa]. É um homem preparado, com serviço prestado ao Brasil. Mas é uma decisão dele, nem sei se é definitiva. Mas, se não for desta forma, prestará serviço ao Brasil de outra maneira. Tenho total respeito”, declarou o tucano.

Alckmin desconversou sobre uma possível aliança com o PSB. A sigla descartou quaisquer tipos de parcerias em âmbito nacional com o PSDB. Segundo o líder da sigla, Júlio Delgado, o PSB não se aliará com partidos de centro.

“Vamos esperar para ver o que o PSB vai fazer. Tem dois ansiosos na vida: jornalistas e os candidatos”, disse Alckmin, desviando do assunto.

No mesmo encontro, a pré-candidata da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, também lamentou a decisão do ex-ministro Barbosa.”Já estamos fazendo algumas coligações. São programáticas, não pragmáticas. Vamos continuar aprofundando o diálogo. Temos espaço de diálogo com os partidos que caminharam juntos em 2014. O PSB vai fazer suas próprias avaliações”, afirmou.

Segundo fonte ligado ao partido, as chances de PSB e Rede se reunirem novamente – Marina compôs chapa com Eduardo Campos em 2014 – são “boas”. “Já encetamos conversas. Ter Joaquim Barbosa e o PSB ao nosso lado, mais uma vez, seria ótimo”, comentou. No entanto, fez a ressalva de que as negociações seriam travadas por Delgado, que quer, a princípio, aliança com o PDT de Ciro Gomes.

O presidente da Câmara e pré-candidato do DEM, Rodrigo Maia, disse que anúncio de Barbosa “era o esperado”. Ele comentou que “alguns ficaram ansiosos” com a possível candidatura do ex-ministro. Na opinião dele, as intenções de voto atribuídas ao jurista não têm destinatário certo. “Acho que uma parte não vai para ninguém e outra, pulveriza”, disse.

A pré-candidata Manuela D’Ávila, do PCdoB, reiterou que “[Barbosa] tinha apresentado algumas pautas interessantes. Manifestou a sua contrariedade em relação à reforma da Previdência e ao processo de impeachment [da ex-presidente Dilma Rousseff]. Ele tinha opiniões já apresentadas e boas. Mas respeito a decisão dele”, afirmou no mesmo evento.

Manuela reiterou que a candidatura de Barbosa era uma “candidatura de esquerda” e que, havendo harmonia e unidade, a esquerda poderá se unir. Sobre aliança entre PT e PDT, ventilada por Jaques Wagner na última semana, destacou que seu partido apoiaria tal caso fosse positivo para o campo ideológico.

“Se essa solução servir para o conjunto da esquerda, se PT e PDT chegarem a esse acordo em diálogo junto conosco, não seremos omissos a isso”, garantiu. “É preciso ter calma. Não podemos cair num erro antigo de nos fragilizar publicamente. Temos muitas candidaturas boa”, enfatizou. 

Alvaro Dias (Podemos) acredita que os votos de Barbosa irão para sua candidatura, mas não descarta uma chapa com o ex-ministro. “Sempre o valorizei. É alguém muito importante na defesa da justiça. A ausência dele empobrece o debate, em especial tendo em vista seu histórico recente conduzindo o STF na ação do mensalão”, acrescentou. O senador também fez questão de reiterar que seu partido não fará alianças com o PSDB.

Já Guilherme Afif Domingos, pré-candidato do PSD, afirmou que não chegou a “ver [Joaquim Barbosa] entrar [na corrida presidencial]”. “Mas empobrece a disputa. É uma pessoa importante nesse processo”, ponderou. 

O pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, foi ovacionado pela plateia. Vale frisar que o prefeito da cidade anfitriã, Rodrigo Neves, é do PDT. Ciro também lamentou a “perda” de Joaquim Barbosa. Comentou que a presença do ex-ministro no debate eleitoral seria importante, mas não quis falar sobre uma futura aliança. “O PSB deve ser reconhecido como um partido de grande tradição”, limitou-se a dizer.

Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Flávio Rocha (PRB), convidados para o evento, oficializaram respostas afirmando que não estariam presentes por causa de outros compromissos. O regulamento da reunião vetou representantes. Entretanto, o PT enviou à organização uma carta escrita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No documento, assinado com a data desta terça-feira (8), Lula diz “que não foi possível a apresentação de um representante da candidatura do PT” no encontro, reforça a sua relação com os prefeitos ao longo dos governos petistas, e ainda explicita suas posições em relação a temas que seriam discutidos no encontro. 

“Antes de eu ser eleito presidente da República em 2002, a Marcha Nacional de Prefeitos chegou a ser recebida com cachorros e tropa de choque em Brasília por presidentes que só buscavam os prefeitos no período eleitoral. No meu governo criei uma sala permanente de atendimento aos prefeitos no Palácio do Planalto. E garanto: nenhum governo atendeu tão bem os prefeitos quando das gestões onde fui presidente”, escreveu Lula, completando: “O país precisa de democracia, de debate de ideias, de respeito às diferenças e da participação de todas as forças democráticas no debate. Só ouvindo e respeitando a vontade popular que o Brasil irá reencontrar o seu caminho”. 

terra.

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