Bolsonaro trata crise como ‘página virada’ mas ainda tem obstáculos no Congresso – Web MS

Bolsonaro trata crise como ‘página virada’ mas ainda tem obstáculos no Congresso

Após troca de farpas, presidente e Maia adotam tom conciliador na véspera de viagem oficial

Na véspera da visita oficial do presidente Jair Bolsonaro a Israel, uma citação da velha política foi desencavada para explicar o arrefecimento do conflito entre o Planalto e a Câmara: “a crise vai viajar”.

Nesta quinta-feira (28), o clima tenso que marcou a relação entre o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Bolsonaro nos últimos dias foi substituído por um esforço de pacificação.

Depois de uma intensa troca de farpas públicas ao longo da quarta-feira (27), com Maia acusando o presidente de estar “brincando de governar”, bombeiros de lado a lado foram acionados para estancar a crise.

Com isso, as declarações tiveram um tom conciliador e ambos trataram a crise como “página virada”. A guinada se deu depois de uma reação negativa na opinião pública e no mercado, com a disparada do dólar acima dos R$ 4 e queda da Bolsa.

Além disso, como efeito colateral da deterioração da relação, a Câmara impusera uma derrota ao governo ao aprovar de forma célere uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que retirou poder do Executivo sobre o Orçamento.

A tentativa de pacificação ocorre no momento em que a Casa preparava outros recados para enviar ao governo na próxima semana.

Com a mudança de tom, porém, líderes do centrão, aglomerado de partidos que não se alinharam automaticamente ao Planalto, afirmam que devem esperar novos movimentos para decidir como agir. Não estão descartadas novas retaliações.

Ao deixar um evento em comemoração do aniversário da Justiça Militar, na manhã de quinta, Bolsonaro comparou o desentendimento com o deputado a uma “chuva de verão” e disse que o sol havia voltado a brilhar. “Para mim isso foi uma chuva de verão, o sol está lindo e o Brasil está acima de nós”, disse.

Maia não compareceu ao evento, para o qual havia sido convidado. Segundo a assessoria de imprensa do STM (Superior Tribunal Militar), responsável pela organização, o presidente da Câmara não respondeu ao convite, como fez nos três últimos anos. Questionado sobre a ausência do deputado no evento, Bolsonaro disse desconhecer os motivos, mas mostrou-se aberto ao diálogo.

“Estou à disposição do Rodrigo Maia, como eu disse, o Brasil está acima de nós. Não tem problema nenhum e vamos em frente”, afirmou. Bolsonaro embarca neste sábado (30) para uma visita de três dias a Israel.

No governo José Sarney, marcado por uma inflação de três dígitos e desarticulação no Congresso, o então senador e depois presidente Fernando Henrique Cardoso dizia que o clima no Brasil só melhorava durante as viagens ao exterior do então presidente.

No esforço de aprumar o governo, Bolsonaro comentou o encontro ocorrido na mesma manhã desta quinta entre o deputado do DEM e o ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública).

Na conversa, da qual a líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), também participou, foram apaziguados os ânimos entre os dois.

Na semana passada, Maia criticou Moro, chamando-o de forma pejorativa de “funcionário do Bolsonaro”. O dirigente da Câmara ficara irritado com cobranças feitas a ele pelo ministro para que o pacote anticrime ganhasse velocidade na Casa.

“Ele falou que esteve com Maia, uma conversa muito saudável, muito amigável, tudo bem. É assim a nossa vida, de vez em quando há alguns percalços, mas não podemos esquecer o que nós representamos”, afirmou Bolsonaro.

Apesar de tratar o tema como “página virada”, o presidente ponderou que outros problemas “virão com toda certeza”. “Outros problemas acontecerão com toda certeza, mas pode ter certeza: na minha cabeça e na dele, Brasil acima de tudo, e Deus acima de todos “, afirmou, repetindo seu slogan de campanha.

À tarde, o presidente da Câmara se reuniu com o ministro da Economia, Paulo Guedes, numa tentativa de melhoria da relação entre os dois poderes e de priorização da votação da reforma da Previdência, considerada crucial pelo governo.

Também passou pelo tom de pacificação as comemorações do dia 31 de março, quando serão  completados 55 anos do golpe que deu início a uma ditadura militar no Brasil, em 1964.

No início da semana, o porta-voz do governo, general Rêgo Barros, havia dito que Bolsonaro determinou ao Ministério da Defesa, as “comemorações devidas” à data.

Nesta quinta, diante de reações negativas, Bolsonaro disse que não serão comemorações, mas sim “rememorações” e revisões de atos que foram bons e ruins no episódio.

 

uol

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *